Rei de quê?[1]

“Sou mundo mundanizado em mim”, Soares.

Ah!
Sou mundo
mundanizado em mim,
janela que se abre
a outros quintais.

Rejeito-me ser falo.
Fálico: discurso que se impõe,
Um falso cogito ergo sum,
palavra que emudece.

Prefiro,
reinventar-me
no dizer,
num diz ser
calante, escutante,
provindo do Silêncio.

Eu:
Fruto da Palavra
que se aproxima como um beijo, e
que em beijo,
me acaricia a alma.

Palavra que lavra
a minha alma sedenta de existir.
Ela,
que ao se pronunciar,
me humaniza
produzindo sementes (e)ternas.

Eu:
um ser de escuta
aberto à poesia do mundo.
Menino-moleque,
surpreendido pela Graça,
valsante em Deus,
na liberdade de filho.


  1. Um trocadilho com o nome Heidegger. A poesia busca inspiração no filósofo a partir de uma releitura particular da Parábola do Pai Misericordioso, narrada no Evangelho de São Lucas 15.11-32.

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Claudio Soares, estudioso das religiões, é professor por vocação e botafoguense por predestinação.

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