Sobre igrejas e gaiolas

“Parece simples demais pensar que a liberdade é algo fácil de conquistar…”, Souza.

Eu falava comigo mesmo, na madrugada passada, acerca da religião e o que poderia considerar dela. Se existe algo que possa dizer é que ela delimita.

A religião proporciona limites que determinam quem deve ou não fazer parte dela. Com isso não desejo tomar conclusões precipitadas, dizendo que não devam haver delimitações. Um movimento de fé que se institucionaliza, de fato, vai aderir ou ceder a isso, o que é uma consequência natural da institucionalidade.

Assim sendo, penso ser importante existir dogmas para que, além de tudo, sirvam também como um identificador importante dos propósitos de uma confissão religiosa.

Outro fato estranho que me leva a divagar é que as pessoas gostam de ser “dominadas” – o termo mais adequado talvez não seja esse, mas foi o que me veio à cabeça. Não me recordo ao certo se Durkheim ou Weber, ou quem sabe outro, escrevia que os religiosos gostam de ter seus comportamentos determinados; e que uma vez perdendo isso, encontram-se sem direção.

É realmente estranho pensar nisso. Se essa pergunta fosse feita a um fiel, muito provavelmente ele diria não. Lembro-me de que há algum tempo publiquei no instagram: “Se você  fosse um pássaro que viveu sempre numa gaiola, e num belo dia a encontrasse aberta, você fugiria?” Todos responderam que sim. Talvez a maioria tenha analisado a pergunta levianamente – é claro que fugiríamos, poderiam ter pensado. Não compreenderam o sentido real da coisa.

Parece simples demais pensar que a liberdade é algo fácil de conquistar, algo que, estando diante dos olhos, será abraçada e facilmente direcionada.

Não é tão simples. Em se tratando de religião, a gaiola pode ser ainda mais pegajosa. Alguns ficam por inocência, afinal é ali que o mundo se baseia; outros até vislumbram o além, mas esbarram na covardia. É doloroso demais sair dela, romper com as raízes… Portanto eu diria que não! você não sairia da gaiola caso a porta estivesse aberta.

– Eu não saí dessa gaiola. Não consegui sair…

É aqui aonde quero chegar: a religião aprisiona, mas Cristo não. O movimento realizado por Jesus, denominado cristianismo, liberta. Sair, fugir, libertar-se dessa gaiola é necessário. Ora, não foi ele que veio para libertar os cativos e oprimidos?

A mensagem do Reino promove libertação e quebra dos paradigmas religiosos. Jesus tocou no intocável, comeu com os pecadores, salvou prostitutas, reuniu-se com publicanos, curou aos sábados…

Dizia: “Eu vim para os que tem sede; vim para os enfermos e doentes; vim buscar o que se havia perdido”. Em outras palavras, “venham, vou tirá-los dessa gaiola e lhes trazer libertação, salvação, cura! É chegado o reino de Deus!”.

Não é necessário derrubar os templos e acabar com as liturgias. Entretanto, penso que seja muito importante mudar o direcionamento da máquina religiosa. Menos dogmas e mais amor. Menos cerimônia e mais ação. Menos sectarismo e mais unidade.

Por enquanto encerro meus devaneios. Pode não ter muita abrangência… não me importo, por agora são apenas devaneios.

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Lucas Souza, teólogo e cristão pentecostal. Pensador que trata o mundo como um laboratório – Cérebro, é você?

3 comentários sobre “Sobre igrejas e gaiolas

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