Kant assiste a O Jardineiro Fiel (contém spoiler)

“Age tendo as pessoas como fim, e nunca como meio”[paráfrase], Kant.

Você já assistiu o filme O Jardinero Fiel?[1] Tive a impressão que se Kant tivesse assistido ele pontuaria algumas coisas, tipo…

– A trama desse filme sucede a despeito de minha famosa recomendação: “age de modo que possa acionar a humanidade, tanto em tua pessoa como na pessoa de qualquer outro, sempre como fim e nunca simplesmente como meio”.

– Sabemos que o homem está acima de qualquer posto e preço, pois, primeiro, é sujeito e não coisa e, segundo, é racional. Ele não pode ser usado, há uma lei universal objetiva que garante sua dignidade como objeto último de toda discussão moral.

– Nega a ética que proponho, esse esquema firmado entre as empresas: (a) KDH – produtora de tuberculostático -, (b) Dypraxa, e (c) Três Abelhas. É certo realizar testes medicamentosos em pessoas, só porque elas são de áreas remotas do Quênia!? Só porque se quer vantagens mercadológicas!? – mesmo se fosse pelo avanço da medicina.

– Tessa sim, age de acordo com os imperativos categóricos. Como ativista, se põe contra o fato de pessoas serem intermediárias de outras finalidades, mesmo sob a alegação de um bem futuro. Seria diferente se houvesse livre oportunidade de escolha, autonomia por parte dos que sofriam esses testes.

– Tessa, sim… se põe contra as indústrias farmacêuticas, em respeito à honra dos quenianos. Independente do resultado – morre assassinada -, fez o que era correto.

– Sentimos igualmente pela morte de Tessa e dos vários quenianos. Pra mim, é o mesmo peso (i)moral. Pois, se a lei moral defende a dignidade de cada um, ela defende da humanidade como um todo. Desrespeitar um homem significa insultar a humanidade inteira. 


[1] O JARDINEIRO Fiel. Direção: Fernando Meirelles. drama; duração: 02 h 09 min; ano de lançamento: 2005; estúdio: Focus Features / Scion Films Limited / Potboiler Productions Ltd.; distribuidora: Focus Features / UIP.

Saiba mais em:
– KANT, Immanuel. Fundamentação da metafísica dos costumes e outros escritos. São Paulo: Martin Claret, 2006.
– RACHELS, James. A ética de Kant. 2003. Disponível em: https://bit.ly/2K4ERlu. Acesso em: 26/07/2019.
– FREITAG, Bárbara. Itinerários de Antígona – a questão da moralidade. São Paulo: Papirus, 1992. [fragmento].

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Fábio Coronel, professor e músico iludido. Idealizador do projeto Autonomia EaD | Divulgação Filosófica.

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