Educação e Globalização

“O mundo é globalizado, o dinheiro e as capacidades de produzir, não”, Coronel.

Globalização é um fenômeno social, resultado dos processos econômicos capitalistas, que teoricamente consiste na integração econômica, política, social e cultural do espaço geográfico em termos planetários.

Na prática, apenas os países mais ricos se beneficiam, pois aumentam seu mercado consumidor, enquanto os mais pobres sofrem com práticas autoritárias de dominação, respaldadas pela força da reserva de capital – o mundo é globalizado, o dinheiro e as capacidades de produzir, não.

Ao longo da história houve diversas tentativas de se estabelecer o projeto de globalização[1]. Na era atual ele esteve marcado pelo avanço nas tecnologias de informação e transporte, o que configurou a superação do capitalismo industrial, até então vigente, para outro, regido pelos mercados transnacionais.

O fenômeno tem provocado efeitos em todos os âmbitos da sociedade, inclusive no segmento educacional. A instrução passa a ser vista particularmente como um mecanismo de qualificação de mão-de-obra, o que é preocupante, embora haja mais acesso a informação e a inovações técnicas.

Em que sentido essa dubiedade nos coloca frente a uma nova problemática na educação?

Muito se tem (re)pensado sobre o papel da escola, seu engajamento social e sua responsabilidade de formar pessoas para além do contexto profissional, ou seja, também capazes de exercer cidadania e orientar suas próprias vidas. Qualquer debate, feito hoje, implica na discussão séria de temas como valores, identidade, futuro, convivência, ecologia…

Segundo Betto, o processo de ensino e aprendizagem deve preocupar-se com quatro grandezas: (1) transferência da herança cultural; (2) despertamento das potências espirituais; (3) reflexão sobre a vivência no mundo; e (4) transformação da realidade. Hoje a escolarização se reduz à primeira grandeza[2].

Os agentes escolares (representantes por excelência da educação) assumiram a perigosa postura de só se preocupar com as pessoas “do pescoço para cima”[3]. É um processo de desumanização; eles desconsideram a gama de competências humanas que não são restritamente lógico-mercadológicas, mas lúdicas, artísticas e/ou espirituais.

Diante da diversidade de situações da vida, a educação não pode se calar. Mais que apenas produzir, os indivíduos precisam de solidariedade e sensibilidade estética; de uma afetividade treinada, pronta pra responder a necessidade de uma vivência realmente global.


[1] Pense nos grandes impérios: de Alexandre a Napoleão.
[2] BETTO, Frei. Cotidiano & mistério. São Paulo: Olho d’ Água, 1996, p. 20.
[3] BETTO, 1996, p. 20.

Saiba mais em:

REIS, Bia. Especialistas debatem a educação na globalização. 2013. Estadão – educação. Disponível em: <https://bit.ly/333g21Z>. Acesso em: 30/07/2019.
LUCCI, Elian Alabi. A educação no contexto da globalização. s/d. Mirandum – Estudos e Seminários. Disponível em: <https://bit.ly/2K339gG>. Acesso em: 30/07/2019.

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Fábio Coronel, professor e músico iludido. Idealizador do projeto Autonomia EaD | Divulgação Filosófica.

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