Assista “The Alienist”!

“Boa parte das loucuras é uma questão de grau”, Coronel.

Para quem leu o maravilhoso livro O Alienista, de Machado de Assis, é impossível ignorar a presença de The Alienist, na Netflix.

Porém, cabe ressaltar que são experiências diferentes. Enquanto a novela do Bruxo satiriza a busca pelos padrões de normalidade, a série combina trama policial e suspense numa narrativa bem estimulante.

Ambos os produtos são ótimos, especialmente num quesito: promover a ideia de que boa parte das loucuras é uma questão de grau. Portanto, aqui vão cinco motivos pelos quais todos (?) deviam assistir The Alienist.

1. Estética visual. A escolha de inserir a história na Nova Iorque do século XIX foi muito acertada. Fora a ambientação, as fotografias das praças arborizadas (apesar da paleta mais acinzentada) e as cenas contemplativas são belíssimas. Arrisco-me dizer que a arte se revela até mesmo na composição das mortes violentas – a modernidade soube nos mostrar que há espaço para o bizarro dentro do conceito de Belo.

2. Elenco. Detendo-se somente à trinca de protagonistas: Evans (John), Fanning (Sara) e Brühl (Dr. Kreizler), temos atuações absolutamente convincentes. Destaque para o olhar analítico do Dr., acompanhado de falas rápidas e objetivas; e para a construção de Fanning sobre ser uma mulher moderna, ainda tendo que lidar com os reflexos misóginos da cultura de sua época.

3. Enredo. Dr. Kreizler não pretende ser uma cópia de Sherlock Holmes. Quer dizer, precisa de equipe, tempo, de revisitar mentores; não resolve problemas apelando a uma inteligência absurda. Isso faz com que a busca do serial killer fique mais próxima a nós, consequentemente, aumentando a ansiedade. No decorrer da investigação há uma reviravolta que valoriza muito o efeito surpresa.

4. Problemática. Violência, abuso infantil, homossexualidade, corrupção, desigualdade de gênero, xenofobia… As questões sociais estão bem distribuídas no ecossistema da série, embora nem sempre sejam discutidas com profundidade – talvez nunca tivesse sido a intenção. Também importantes são as questões ligadas aos perfis psicológicos: faz todo sentido, por exemplo, John ser um boêmio mimado, e por isso quase sempre agir de maneira avoada.

5. Este tópico não é um ponto forte: o clímax. O tempo de “cozimento” do espectador é considerável. A gradação do processo, bem colocada, quase-quase ao limite. Depois de tanto preparo a Grande Cena, ou o Grande Encontro, não parece tão grande assim. Fique tranquilo, não chega a comprometer a qualidade da série; – o item 5 pode ser apenas chatice minha mesmo. Ou serão todos? rs.

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Fábio Coronel, professor e músico iludido. Idealizador do projeto Autonomia EaD | Divulgação Filosófica.

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