Afinal, o que é filosofia?

“Admito: a filosofia é desnecessária à sobrevivência. Porém…”[paráfrase] , Coronel.

Um título que começa com “afinal” na verdade é muito pretensioso (rs). A pergunta sobre a natureza da filosofia atravessa milênios, e não seria um mero entusiasta que finalizaria uma questão dessa proporção.

Dito isso caro leitor, talvez eu possa ajudar você a compreender pelo menos um pouco melhor sobre a natureza da filosofia, assunto ainda tão nebuloso para a cabeça dos que não são do ramo. Portanto, com as melhores ajudas possíveis, darei três rápidas explicações acerca do que, no meu entender, é a filosofia.

Serão interpretações nascidas das leituras que fiz ao longo da vida, e de anos de experiência como professor de filosofia no ensino básico. Pense bem: quantas tentativas – frustradas e exitosas – trago na base do que estou me propondo a fazer? E é realidade que esta será mais uma; tomara que bem sucedida. Comecemos.

Em primeiro lugar, nada melhor que esclarecer a raiz da palavra, ou seja, expor sua etimologia. Filosofia vem da junção de dois termos gregos, philos (amizade) e sophia (sabedoria). Bom, podemos deduzir a partir dessas informações que a filosofia parece ser um tipo de relacionamento com o saber, que nasce da companhia e da liberdade que partes estabelecem entre si, e que caminha para tons cada vez mais apreciativos. É como se alguém dissesse a outro alguém (ou a algo): – “Uau! Que maravilhoso termos pontos em comum. Que tal se falássemos sobre isso?”. Penso que as amizades funcionam assim.

Na primeira explicação tratamos da palavra consagrada por Pitágoras, em segundo lugar trago a sentença de nosso querido Cortella: parafraseando, “filosofia é a preocupação com o sentido das coisas”. Veja só, quando você fala em sentido pode estar se referindo a pelo menos duas situações: ao significado ou à direção. A prática filosófica serve para ambas referências; isso quer dizer que filosofamos quando buscamos a definição, o conteúdo, a interpretação de algo, mas também quando investigamos o caminho, a rota, a orientação que a vida deve tomar. Nesse processo curiosidade e bom-senso são fundamentais.

Por fim, somo meus esforços aos de Saviani, afirmando que a filosofia é um modo de pensar. De que tipo? O que transforma cenários em perguntas (problematização) e depois busca boas respostas para elas (explicação). Perguntar o “por quê” disso ou daquilo é indagar sobre a razão de nossa realidade; sobre a lógica e a causalidade do que existe. É por isso que não serve qualquer resposta, ela deve querer chegar ao fundamento das questões (radicalidade), suprimindo as soluções mais superficiais (rigorosidade) e associando os problemas a um conjunto de fatos (totalidade). Eis a marca da filosofia.

Como iniciei o texto já prevendo meu fracasso (rs) só posso esperar que o amigo leitor seja perspicaz o suficiente e preencha boa parte das muitas lacunas que deixei – inevitável; isso se ainda interessar. Pois a filosofia, assim como a arte, a religião e a amizade, é desnecessária à sobrevivência. Ela é uma das coisas que dá valor à sobrevivência…

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Fábio Coronel, professor e músico iludido. Idealizador do projeto Autonomia EaD | Divulgação Filosófica.

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