Aborto: para começo de conversa

“É de crucial importância planear a relação entre o aborto e a vida”, Corrêa, Santiago e Fiedler.

Em Sex Education, série de Laurie Nunn, Maeve tem uma gravidez indesejada e opta por abortar. Subindo a rampa para a clínica, encontra dois militantes conservadores que tentam fazer Maeve desistir do aborto. Eles alegavam que se abortasse, Maeve não só estaria assassinando um ser indefeso, mas também estaria entregando sua alma ao mal. A história da personagem é apenas um exemplo da intolerância por parte de muitos conservadores no que tange ao aborto.

É de crucial importância planear a relação entre o aborto e a vida, tendo em vista as declarações da Organização Mundial da Saúde e do Conselho Federal de Medicina do Brasil. Ambos os órgãos apoiam a legalização do aborto no Brasil até 12 semanas. Esteiam-se em artigos científicos, os quais indicam, devido à falta de sistema nervoso, a inexistência de vida em fetos com menos de 12 semanas.

Em uma projeção de legalização do aborto, médicos pensam em realizá-lo apenas até 3 meses: (1) no uso do método farmacológico, o que implica na aplicação de drogas abortivas, ou (2) no método salino, que consiste em injetar na placenta determinada solução, capaz de induzir contrações e facilitar a saída do feto. Estes médicos não apoiam o método mais agressivo, o cirúrgico, que requer desmembrar o feto e retirar os membros utilizando sonda de sucção intrauterina.

É prática de vários psicólogos dizer que o aborto é importante para mulheres desestabilizadas emocional ou financeiramente, baseando-se no preceito de que países como Espanha, Portugal e Uruguai, após legalizarem, reduziram o índice de mortes suscitadas por práticas clandestinas. Eles também afirmam que mulheres sem estrutura podem, na criação da criança, induzir ou gerar pensamentos que dificultam o convívio social.

Em Provetas e clones: uma antropologia das novas tecnologias reprodutivas, obra de Naara Luna (doutora e pós-doutora em Antropologia), destaca-se a influência que a legalização tem nos estudos envolvendo células tronco, uma vez que os institutos pesquisadores recebem mais material amniótico e umbilical.

Diante de estudos tão significativos e impactantes, observa-se um atraso na discussão da legalização do aborto no Brasil, devido a discussões político-sociais. Certo é que “Toda mulher deve ter autonomia sobre seu ventre”, como afirma o doutor Roberto Luiz d’Ávila.

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Eduarda Corrêa, Laís Santiago e Hans Fiedler, alunos do Ensino Fundamental. Gostam de conversar sobre assuntos que revelam não ter a idade que têm.

Um comentário sobre “Aborto: para começo de conversa

  1. Mi. disse:

    Ótima reflexão! A ausência da legalização do aborto no Brasil gera um grande problema de saúde pública, onde diariamente mulheres têm complicações decorrentes de abortos feitos de forma incorreta. Muitas acabam morrendo. É muito urgente trazer esse debate. Parabéns pelo texto!

    Curtido por 1 pessoa

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