Conversas sobre Aristóteles[1]

“Aristóteles foi (é?) o principal pilar do pensamento ocidental”, Coronel.

  • Para Aristóteles, há dois sentidos privilegiados no processo de conhecimento. Você lembra quais são eles?

Sim, visão e audição. Ele acredita que a visão nos possibilita mais saberes do que qualquer outro sentido, pois permite diferenciar os objetos por meio de suas diferenças e semelhanças. Também defende que o aprendizado não depende apenas da inteligência, mas também da capacidade de ouvir sons (o que para ele, não é o caso das abelhas rs), ou seja, da habilidade de utilizar esses recursos além da memória.

  • O que poderia me falar acerca das noções de empeiría e téchne?

Basicamente Aristóteles distingue os conceitos de empeiría e téchne pela capacidade que o segundo tem de conhecer as causas. A empeiría proporciona a vivência crua da realidade, isto é, com o fato; enquanto a téchne é uma experiência que se submete à reflexão, para fazer evidentes suas razões. Pode-se dizer que consisti numa prática avaliada pelo raciocínio.

  • E o ócio e a filosofia?

Uma relação curiosa rs… Na argumentação aristotélica a filosofia tem caminho livre para desenvolvimento na sociedade quando o trabalho já proporcionou o conforto e bem-estar necessário. Quando assim, os pensadores podem descobrir ciências que nem visam o prazer nem as necessidades imediatas, tal qual o sacerdócio egípcio que desvendou as ciências matemáticas.

  • Agora falando de Ética, segundo Aristóteles, o que leva o homem comum obedecer normas?

Ixe, papo sério agora. O homem comum só pode obedecer e consequentemente ser vinculado a uma sociedade pelo medo à punição. Naturalmente não pode ter pudor, devendo então temer a dor, o desprazer e a restrição, pois não tem por consideração a ação ética direcionada para o bem. Para o filósofo, é mais econômico punir o homem do que mudar sua natureza – sai mais barato.

  • Fábio, você leu o livro Ética a Nicômaco? A parte final apresenta resumidamente várias questões que serão exploradas em outra obra de Aristóteles. Pode falar algo sobre isso?

Li sim. O livro é A Política. Essa obra, justamente, desenvolve o assunto final de Ética a Nicômaco, a saber, a incoerência dos sofistas diante da política[2], trabalhando a questão da felicidade (eudaimonia) sob a perspectiva do homem na Pólis (cidade) e da política (a Pólis). Aristóteles pergunta até que ponto as instituições contribuem, ou mesmo podem garantir a felicidade do homem.


  1. Interlocutor, professor Carlos Euclides Marques.
  2. Os sofistas rebaixam a discussão, equivalem política e retórica. Como se valores não precedessem as ações.

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Fábio Coronel, professor e músico iludido. Idealizador do projeto Autonomia EaD | Divulgação Filosófica.

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