Mar calmo nunca fez bom marinheiro

“Ninguém é forte porque nasceu forte”, Braga.

Você alguma vez teve a oportunidade de contemplar o mar?

Eu sempre gostei de apreciar o mar, contemplar a sua grandeza, o seu ímpeto e sua potência.

Fico pensando que o mar é um desses lugares que parece pertencer a todos e, ao mesmo tempo, a ninguém. Um eco da vida que algumas vezes se deixa acariciar e outras vezes escapa das nossas mãos, como aquelas situações que parecem estar sob nosso domínio até que subitamente tomamos um “capote”, quase morrendo pela truculência das ondas.

O mar não é um lugar de tranquilidade apenas, o mar também é lugar de perigo, de imprevistos, de tempestades, de naufrágios, de tragédias. Às vezes a maré está baixa, calma, o vento sopra brisa suave; outras vezes as ondas batem com força nas rochas.

Nesses momentos o marinheiro que sobrevive é aquele que deixa de lado seu comodismo e decide enfrentar o que ameaça sua vida, pois quem decide saltar para dentro da incerteza da água também deve estar preparado para enfrentar seus dias maus.

A vida é da mesma forma.

Ninguém é forte porque nasceu forte. Aprendemos com a vida a suportar os ventos contrários, a nadar contra correnteza, a aguentar a tempestade, a tirar a água do barco. Aprendemos a ser fortes nas pancadas, quando ela se mostra sem piedade ou misericórdia.

São nas circunstâncias mais adversas que resignificamos a vida, a coragem, a força e decidimos se vamos morrer lutando, morrer tentando, morrer com honra, ou se vamos sucumbir às tempestades, naufragar nas incertezas, morrer afogados nas lutas.

É uma escolha diária e de exclusiva responsabilidade nossa. Ninguém pode fazê-la por nós. Ninguém pode tomar a direção do nosso barco.

Talvez, se a vida está pesando, é porque você aguenta. Se o universo está apertando, por certo existem aprendizados.

A Bíblia conta algumas histórias envolvendo homens e barcos. Jonas, o profeta teimoso que, negando-se a obedecer, pegou um barco com destino contrário ao que o Eterno teria ordenado. No mar, veio uma forte tempestade, levando todos a temer, e Jonas teve que se revelar como o causador daquela desordem. Lançaram-no ao mar para que então ele fosse tratado por Deus e as vidas da embarcação fossem poupadas.

Jonas passou pela tempestade, enfrentou a fúria do mar, foi engolido por um peixe, contudo sua vida foi preservada.

A Bíblia ainda conta numa passagem que Jesus estava com os discípulos no barco. Jesus dormia quando uma forte tempestade começou. A história relata que todos temeram achando que iam perecer, acordando, o Mestre acalma o mar, e dá destino seguro ao barco.

O próprio apóstolo Paulo teve vívidas lembranças que incluíam muito mais que belos pores de sol; havia também nas memórias de Paulo os perigos enfrentados, naufrágios, tendo ele sobrevivido a três e até passando uma noite e um dia em mar aberto.

Nem sempre seremos poupados do mar bravo, do naufrágio, da tempestade, contudo, podemos buscar dentro de nós a força para crer que nada foge de um controle maior.

Não peço fardo leve, peço ombros fortes para suportar o peso. Disse Jesus:”Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo”.

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Ariana Braga, educadora por formação, mãe por vocação. Amante da poesia. Aprendiz de psicanalista.

 

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