Sobre bolsa na pós e falcatruas

“A pós é elitista”, Nunes.

O negócio é o seguinte: o Brasil tem grana para investir em PESQUISA. Não fosse toda a exploração em cima do trabalhador brasileiro, poderia muito bem oferecer bolsas – uma verba ($) para quem não está familiarizado com o termo – a todos os estudantes de pós-graduação, que, então, não necessitariam de trabalhar o dia inteiro; isto é, conseguiriam dedicar-se à investigação acadêmica, pois teriam tempo hábil.

Quem tem vínculo empregatício está PROIBIDO de receber a bolsa (senão em caso de mestrado profissional e talvez outras exceções que não conheço). Ninguém, tendo vínculo, deixa o emprego – sobretudo quando o desemprego no país se aproxima dos 13% – para receber o valor pago no mestrado ou no doutorado, a não ser que tenha alguém para sustentar, alguém que banque as contas. A pós é elitista: exceto um ou outro caso romantizado, praticamente só estuda com eficiência quem tem o privilégio de não precisar trabalhar.

Eu, por exemplo, trabalho das 7h às 18h em sala de aula, chego meio morto em casa, não tenho cabeça para quase nada, fora os problemas do dia a dia que nos atingem a todos, mas que obviamente não interessam à burocracia da universidade. A pergunta mais frequente da minha vida é “você tá com sono?” ou “você tá cansado?”.

QUAL É A QUESTÃO? Sou favorável a que todo mundo que desenvolve uma pesquisa tenha condições de realizar isso da melhor maneira possível: com tempo, com grana, com alguma paz. Mas o fato é que a regra do jogo é, repito, quem tem vínculo com algum emprego NÃO PODE receber bolsa. Porém há muitos na pós-graduação com “esqueminha”: mesmo tendo emprego, recebem a bolsa. Alguém poderia argumentar: “mas tem que ser assim mesmo; se o Estado não dá condições, o estudante tem que conseguir isso de outra maneira”.

Só que há um problema aí: e os outros que não têm “esqueminha”? Um monte de gente larga a pós porque não aguenta mais trabalhar tanto nem conciliar as tarefas. Num concurso público, a galera do “esqueminha” vai ganhar por titulação e, é claro, pelo conhecimento adquirido por meio da oportunidade que teve em relação ao concorrente, que precisou largar os estudos. Comete injustiça com os colegas não somente o estudante que recebe por meio de “esqueminha”, mas também os que o acobertam.

E o que tem de bastiões da moralidade nessa jogada, gente milituda cheia de dedo em riste, “preocupadíssima” com as injustiças sociais… É uma piada mesmo. Eu é que não levo vocês a sério.

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El-Buainin Nunes, professor peladeiro, mas não o contrário. 

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