Por um educador-leitor de clássicos

“Tão bom quanto ler é poder ser lido”, Manhães.

As várias atividades desenvolvidas pela figura do educador (carga horária extensa de trabalho ou a busca por mais especialização, entre outras atividades pessoais) contribuem muitas vezes para uma indisposição generalizada. Tais fatores nos fazem observar que a formação de um mediador de leitura que seja leitor é algo cada vez mais desafiador, a despeito da leitura ser uma atividade fundamental para o crescimento pessoal e profissional de qualquer um.

Todo ser humano passa pela formação da vida, como analogia podemos usar a germinação de uma semente. Para desenvolver-se são necessárias algumas etapas: (1) absorção de água, (2) formação de sua raiz primária – radícula, (3) temperatura ideal, (4) nutrientes, (5) formação do caule e folhas, até que (6) se torne uma planta por completo. As pessoas também são assim, precisam passar por vários processos, e muitos desses processos acontecem pela experiência da leitura.

No caso do mediador, além de buscar o próprio aperfeiçoamento cultural ele também deve contribuir para a construção de outras pessoas. É o contato entre mediador-leitor e mediado-leitor que promove (co)aprendizagem; melhor dizendo, educar pela leitura representa transformar vidas e ao mesmo tempo ser transformado. Nunca podemos perder do ato de ler a referência das experiências pessoais – ora, não é isso que dará mais sentido ao pensamento de todos?

Portanto, é inevitável destacar que quem se propõe a educar precisa ser leitor. Apesar dos imprevistos sobrecarregarem, tem de constantemente reconectar-se com a leitura, não deixando que as tarefas diárias sucumbam com sua principal ferramenta. Não se trata de reduzi-la a uma mera questão de ENEM, vai além, passa pela possibilidade dos agentes de associar e articular o que se lê com os sentimentos que fluem e com a memória de nossas vivências.

A escritora brasileira Clarice Lispector[1] nos ajuda inspirando um exercício simples: que tal registrar em uma folha os livros que marcaram sua(s) vida(s) como leitor e relacionar cada livro com um sentimento, descrever como foi o dia quando realizou essa leitura?

São tantos livros clássicos que nos ajudam a fundamentar a vida, transcender, conhecer novas culturas e que merecem ser relidos eternamente; que nos dão a chance de novos encontros e de saber escolher o melhor conteúdo para se consumir. Assim, fica a sugestão de acrescentar em sua lista de leitura algum clássico da literatura.

Tão bom quanto ler é poder ser lido por esses textos assegurados pelo tempo.


  1. O Primeiro Livro de Cada Uma das Minhas Vidas. In: LISPECTOR, Clarice. Aprendendo a viver. Rio de Janeiro: Rocco, 2004.

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Tayná Manhães, professora de biologia. Confeiteira amadora nas horas vagas.

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