Mais um ano para ser ensinável

“Reconhecer o desconhecimento sobre certas coisas é sinal de inteligência e um passo decisivo para a mudança”, Cortella.

Acredito que esse momento de início e seu desdobramento nos próximos dias e meses despertam diversos sentimentos em todos nós. Alguns diriam que sentem alegria, outros ansiedade e ainda outros euforia. Afetos legítimos e naturais.

Gostaria de refletir a respeito de um sentimento possível de ser encontrado nesse contexto: a insegurança. De acordo com o dicionário, “insegurança” é ausência de certeza ou convicção. É inquietação, vulnerabilidade, desconfiança. Nessa acepção, a pessoa insegura é aquela que se vê vulnerável diante da vida e de suas demandas.

Bem, geralmente a insegurança é pensada de forma negativa, condicionada ao medo ou receio de tomar uma decisão. Desejo defender a ideia de que o fato de se sentir inseguro não é de todo ruim, visto que é possível que ela nos coloque a caminho do conhecimento e que nos faça despertar para a necessidade de se permitir o novo e o inalcançado.

Cortella menciona no livro Qual é a tua obra que “reconhecer o desconhecimento sobre certas coisas é sinal de inteligência e um passo decisivo para a mudança”. É perceptível na maioria das pessoas a sensação de que não estão prontas, preparadas, acabadas ou finalizadas. Embora não percebam de imediato o que exatamente está acontecendo, estão à caminho, mesmo que a expectativa seja sempre a da chegada e não a da caminhada.

Quem está à caminho tem consciência de suas limitações; considera a possibilidade de se expor ao desconhecido; reflete sobre a fragilidade humana em compreender as complexidades do mundo; torna-se mais sensível às necessidades dos outros e entende que sozinho não é possível alcançar quaisquer objetivos idealizados.

Então, a caminhada de mais um ano não é um espaço para os que veem o mundo pronto, ordenado e definido. É, na verdade, um laboratório no qual os saberes estão sendo constantemente explorados, analisados e testados. Por isso a necessidade de fomentar novas experiências que transformarão as pessoas (e suas visões) num processo continuo de desenvolvimento. Fazer deixar de compreender as relações sujeito-objeto em termos de causa e efeito, passar a valorizar as interdependências, em que tanto as pessoas constroem o mundo, como por ele são construídas.

Acredita-se que ao longo desse processo três movimentos são necessários: O da (1) perplexidade (espanto). É natural que num primeiro momento uma enxurrada de informações os impressionem e sugira entendimentos contrários a tudo o que você sabia sobre a vida. O que fazer com tanta informação? Não existe uma única resposta possível, são muitas as realidades e precisamos reconhecer a brevidade de nossos conceitos. Para isso acontecer, é necessário um segundo movimento, o da (2) desconstrução. Deixar-se moldar por novas ideias, atravessar por outros conceitos, valores e pensamentos que enfraquecerão nossas bases e nos levarão para o terceiro movimento, o da (3) reconstrução. A reconstrução, por sua vez, é o movimento de acomodação dos saberes correntes na base do diálogo, da interatividade e da humildade pedagógica.

É importante ressaltar que esses três movimentos não devem acontecer uma única vez na vida, ao contrário, precisam ser cíclicos, periódicos. Finalizo, considerando que é crucial, portanto, que trabalhemos as nossas inseguranças e vulnerabilidades para o surgimento de um indivíduo ensinável e flexível.

Gosto da afirmação do príncipe da Cinderela, quando questionado pela futura princesa sobre quem ele era; imediatamente responde: “Eu sou um aprendiz, ainda aprendendo o meu oficio”.

Se alguém lhe perguntar “o que pretende para esse ano?” sugiro que reconheça que a resposta do príncipe parece boa, diga “sou um aprendiz, ainda aprendendo o meu oficio”.

Feliz Ano Novo!

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Clayton Machadobuscando ser um pastor desnecessário.

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