C. S. Lewis além de Nárnia

“O dever do educador moderno não é o de derrubar florestas, mas o de irrigar desertos”, Lewis.

Clive Staple Lewis (1898-1963), nascido em Belfast, Irlanda, professor de literatura em Oxford e Cambridge, indiscutivelmente é uma das maiores personagens da intelectualidade no século XX. Distinto escritor, sua obra apesar de transitar por diversas temáticas como crítica literária, educação, filosofia, teologia, mantém sobremaneira a qualidade estética, o rigor lógico e os subsídios do mais alto padrão acadêmico oxfordiano.

Resgatar o caráter refinado e erudito de sua obra é beneficiar tanto acadêmicos quanto demais profissionais, entendida a profundidade cultural em que sua articulação está ancorada. Owen Barfield, amizade de círculo íntimo, pretendendo dar conta da versatilidade e competência do amigo, ressaltou com muita propriedade que em Lewis há três personas: (a) o romancista famoso, de prolífica atividade; (b) o apologista cristão, engajado no debate público; e (c) o vocacionado professor universitário e crítico literário. Obter eficácia nesses três complexos ramos de atuação exige, efetivamente, uma inteligência privilegiada (convenhamos).

Sua peculiar leitura da religiosidade costuma gerar sentimentos antagônicos, já que alguns imputam-lhe a suspeita de heresia, diferente de outros que o veem como alternativa ao fundamentalismo norte-americano e suas extravagâncias. Portanto, não sem motivo, em 1946, Lewis recebeu a graduação de doutor honorário em teologia pela Universidade de Saint Andrews. No pronunciamento de sua titulação o autor irlandês foi tanto homenageado pelo alcance de seu trabalho em teologia popular, quanto exaltado por promover uma associação ímpar entre reflexão filosófica e imaginação poética, sem precedentes, e de difícil categorização literária.

Entretanto, cabe salientar que em algumas interpretações esconde-se o perigo do reducionismo do pensamento lewisiano. Por exemplo, o afã da ortodoxia cristã por representação de peso nos debates públicos faz com que a leitura de seu legado seja tomada estritamente em moldes conservadores burlescos, momento em que Lewis perde toda a largueza intelectual, transformando-se num ingênuo apologista e “guru” de certos valores políticos. Logo, deixa-se de constatar que, longe da ingenuidade, encontra-se fundamentado numa fina teoria, e que não obstante reforce pensamentos ortodoxos, o faz sob um olhar bem mais sofisticado.

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Fábio Coronel, professor e músico iludido. Idealizador do projeto Autonomia EaD | Divulgação Filosófica.

4 comentários sobre “C. S. Lewis além de Nárnia

  1. Ariana disse:

    Maravilhosa a ideia da página.
    Sensacional os textos
    Minha sugestão é a postagem do texto na íntegra no Instagram, para que possamos fazer o repost.
    E divulgar esse lindo trabalho.
    Att.

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