Paradigmas da Ciência da Religião

“Se existe um fenômeno universal, sem dúvida, é a religião”, Coronel.

Se existe um fenômeno humano que pode ser denominado universal, sem dúvida, é a religião. Sua manifestação é identificada em todas as culturas humanas, em todos os lugares e épocas. Isso já é motivo suficiente para buscar compreendê-la melhor.

Num primeiro momento a religião foi estudada exclusivamente do ponto de vista confessional. Somente a partir do século XVI novas perspectivas de análise foram inauguradas e, por conseguinte, outras repostas foram dadas às perguntas sobre a origem e a função da religião.

Uma dessas perspectivas esteve na via da investigação filosófica. Duas abordagens opostas se destacaram: a racionalista, que tratou a prova de Deus como a melhor solução frente ao ceticismo radical; e a empirista, que na busca da objetividade desdobrou a religião para o campo de temas políticos como liberdade, individualidade e tolerância.

A síntese dessa tensão apareceu na filosofia de Kant, a qual estabeleceu “limites” para a razão. Nada, incluindo a religião, poderia ser entendido como essência, apenas como fenômeno. Em suma reduziu-se religião à moralidade (sua parte acessível), expressão das ações que mediam e valoram as relações humanas.

Talvez por isso os estudos sobre religião que vieram depois de Kant tenham se representado mais na Antropologia Cultural e na História das Religiões Comparadas (possível graças ao espírito colonialista da época). Mediados pelo espírito cientificista da época, boa parte dos pesquisadores foram levados a interpretar as manifestações religiosas como infantis e desqualificadas de capacidade crítica.

Foi buscando revisar tal noção depreciativa da religião que nasceu a sociologia da religião de Durkheim. Definiu-se que, longe de ser um erro, a religião é o fato social por excelência, ou seja, uma realidade social, externa ao indivíduo, que se volta “contra” ele na forma de coerção social, orientando suas ações, crenças e comportamentos.

Dizer que a religião exerce uma função social significa reconhecer que ela ajuda a manter as sociedades unificadas, coesas e participantes de determinada identidade e finalidade. Alguns entendem que essa é a versão mais madura sobre os estudos da religião, fora das discussões metafísicas e “psicologicistas”. Será?

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Fábio Coronel, professor e músico iludido. Idealizador do projeto Autonomia EaD | Divulgação Filosófica.

2 comentários sobre “Paradigmas da Ciência da Religião

  1. Aprendiz disse:

    A religião é um pilar fundamental para que uma crença permaneça,mas quando não se questiona sua veracidade (seja qual for o ramo de sua crença) a verdade aparece de uma forma humana, trazendo sua fragilidade.

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