Racional – no bom sentido

“A lógica é uma ideia notável porque nos permite compreender a razão pela qual podemos confiar nas conclusões a que chegamos”, RUAS, Paulo.

Não somos seres inteiramente lógicos. Muitas vezes em busca de tornar o mundo mais acolhedor colocamos a imaginação em atividade e construímos explicações provisórias sobre os fenômenos que nos cercam. Foi assim nos tempos antigos, e continua sendo. Fabricamos mitos [1] nas lacunas da falta de entendimento.

Acontece que a imaginação tem seus limites. É verdade que ela desperta a sensibilidade, a criatividade, define objetivos mais nobres, só que isso não significa que ela atende para tudo. Além da segurança precisamos também propor ações medidas por critérios. Decisões que possam ser analisadas, examinadas e tomadas com relativa garantia de sucesso.

Em vista disso, devemos saber combinar nossa parte imaginativa com nossa parte racional. Hoje em dia a capacidade de fazer mitos estabelece modelos de comportamentos,  cria heróis… A racionalidade é aquela nossa parte que pergunta sobre até que ponto os modelos nos servem. Não há porquê separar o sonhar do realizar.

O fundamental é que os caminhos de nossos pensamentos sejam relativamente confiáveis. Em outras palavras, expressar como que partindo de A posso concluir B. Chamam lógica essa habilidade de comprovar a relação harmoniosa entre as coisas.

A todo momento somos  convidados a explicar a razão de nossas opiniões. Não basta dizer “todo mundo acha!”.  Estamos cercados de situações que envolvem convivência, política, religião, amor, e que nos afetam diretamente. Saber a verdade das afirmações é tentar assegurar o melhor para si.

É comum aprendermos de duas formas: confiando ou duvidando das informações que recebemos. Até porque mesmo se admitíssemos que duvidar de tudo é o melhor caminho, não teríamos que confiar na ideia de que duvidar de tudo é o melhor caminho? Parece um contrassenso…

Embora seja improvável que possamos começar um pensamento sem considerar o que já foi pensado por outros, a autoridade dos especialistas, ou o imenso acúmulo de crenças compartilhadas, precisamos saber que isso não garante a legitimidade de uma ideia.

Corremos o risco do fanatismo  quando há crença obcecada na opinião e força para impô-la. Em contrapartida é tola a dúvida que relativiza tudo, simplesmente porque não é autocrítica. Descartes foi quem primeiro sintetizou “penso, logo sou”- posso duvidar de muitas coisas, mas não posso duvidar de que sou um ser que duvida.

Precisamos de crítica! Criticar não reflete sempre “falar mal”; em um sentido mais técnico significa examinar, pesar, julgar. Há um caminho alternativo entre a cegueira e a ingenuidade, o que pode significar uma “pane no sistema”[2].

Aviso aos navegantes: não é fácil se enxergar no processo de análise. Dá uma sensação de desamparo…

Portanto, colocar-se na posição de juiz das próprias convicções e da opinião dos outros é sair da matrix [3], é superar a alienação, passar a pensar por si mesmo, a falar por si mesmo e a agir também. A atitude crítica somada à aplicação da lógica aos fenômenos da vida cotidiana podem amparar formas muito mais maduras de interagir com a realidade.

Deixemos os mitos e ídolos de lado. “Não quero faca, nem queijo. Quero a fome”[4].


  1. No sentido baconiano de falsa noção.
  2. Música Admirável chip novo, Pitty.
  3. Filme pretensamente baseado em problemas filosóficos.
  4. Adélia Prado.

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Fábio Coronel, professor e músico iludido. Idealizador do projeto Autonomia EaD | Divulgação Filosófica.

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