Pensar e não pensar cotidianamente

“Credulidade e praticidade são importantes até que ponto?”[paráfrase], Coronel.

É hora de aprofundar um pouco mais o assunto tipos de conhecimento (comum, filosófico e científico).

Começando pelo comum e filosófico. Apesar de ambos estabelecerem íntima relação com o cotidiano, são precisamente diferenciados pelo método, abordagem e perspectiva que empregam nesse relacionamento.

Quando se expõe a capacidade da mente humana de selecionar, reordenar, reconfigurar, ou seja, processar informações através do pensamento, seguramente aproximamo-nos da noção de conhecimento filosófico, pois este utiliza de modo mais completo as ferramentas mentais que precisamos para nos posicionar no mundo, e pensar a realidade de maneira crítica e rigorosa.

Quando há uma maneira acrítica de ajustar-se a sociedade, de pensar cotidianamente, define-se o caráter do conhecimento popular, o qual busca apenas um enquadramento social, sem preocupação profunda sobre os eventos da vida. A despeito do pouco rigor, não pode ser tida como inútil, visto que serve de ajuda para boa parte dos problemas do dia-a-dia que exigem agilidade e praticidade.

Duas características importantes que podemos ressaltar sobre o conhecimento popular: ele é (1) dogmático e (2) sensitivo. Dogmático porque está baseado em crenças arbitrárias, ou seja, a solução dos eventuais problemas depende da aceitação de verdades absolutas que se impõem apesar da razão. Sensitivo porque depende, quase exclusivamente, do conhecimento apreendido pelos sentidos. Vale ressaltar que os sentidos por vezes nos enganam, contribuindo para um tipo de conhecimento aparente e superficial.

Duas características importantes que podemos ressaltar sobre o conhecimento filosófico: ele é (1) Racional e (2) Radical. Racional porque está baseado na ordenação do pensamento e palavras, a fim de obter conhecimentos credíveis. Radical porque através da razão procura a raiz dos problemas, não se contentando com obviedades ou repostas prontas, antes, confrontando argumentos até a elaboração de um conhecimento confiável.

Resumindo: credulidade e praticidade estão vinculadas ao conhecimento comum, que se mostra saber válido para resolver problemas cotidianos de caráter imediato através da observação e da tradição popular. Sistematização e objetivação estão relacionadas aos conhecimentos filosófico e científico, que propõem, além de um discurso ordenado, racional e lógico sobre a realidade, também verificabilidade e experimentação por meio de técnicas especificas para fornecer explicações que possam ser testadas.

Não custa também falar sobre duas características da ciência: ela é (1) preditiva e (2) descritivo-explicativa. O conhecimento científico permite a previsão dos fenômenos por um reconhecimento dos processos de causa-efeito e repetição dos eventos sob determinadas condições. Com igual interesse permite a elaboração de enunciados explicativos, baseado em regularidades, a fim de elucidar os fenômenos. 

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Fábio Coronel, professor e músico iludido. Idealizador do projeto Autonomia EaD | Divulgação Filosófica.

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