Aspectos sobre o conhecimento

“Conhecer é interagir”, Coronel.

Na vida da maioria das pessoas o conhecimento ocorre de forma intuitiva. Dificilmente paramos para questionar como adquirimos esse ou aquele saber – o que faz lembrar a personagem Chicó [1], que ao contar uma história absurda e ser interrogado “como?”, respondia: “não sei, só sei que foi assim”.

Mas não somos tontos que nem Chicó, queremos saber como. E se é certa a postura de questionar tudo, então não deve ser diferente com a nossa maneira de compreender as coisas.

Pois bem, dois elementos são indispensáveis para este processo: o sujeito e o objeto. O conhecimento faz parte do ato de um sujeito que se coloca no mundo. Podemos dizer sobre um relacionamento entre uma consciência e os vários objetos e fatos que a cercam. Conhecer é interagir.

Entretanto, não é qualquer interação que serve. O que a busca do conhecimento pretende não é nada senão a verdade. O que valeria um saber longe da exatidão? Posicionar-se no mundo traz a necessidade de que nossas ideias estejam ajustadas aos fatos. Assim podemos definir conhecimento como o produto de toda relação verdadeira com a realidade.

Ainda não está convencido? Interaja de maneira banal com os turnos do dia: não parece que o Sol se move em torno da Terra? Agora pense com mais cuidado, diversifique experiências, faça alguns cálculos… E pronto: Ah, já não é bem assim.

O conhecimento busca a verdade e se manifesta no pensamento. Cazuza poetizava sobre as contradições de uma sociedade a qual “as ideias não correspondem aos fatos”[2]. É essencial que haja critérios para se conduzir uma ideia .

O pensamento geralmente surge como um encadeamento de símbolos. Seja na matemática, na química ou na linguagem verbal, o desafio é representar as coisas organizando-as em sistemas lógicos. Fácil assim? Não exatamente. A coerência de um argumento, por exemplo, requer inteligência.

Vejamos: “Todo homem é mortal. Maria não é homem, logo, Maria não é mortal”. Essa conclusão parece correta? Não? E por que ela está errada, se é verdade que Maria não é homem? Essa eu deixo como um aperitivo para você, leitor, resolver.


1. Filme baseado na obra literária O Auto da Compadecida, Ariano Suassuna.
2. Música O tempo não para, Cazuza.

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Fábio Coronel, professor e músico iludido. Idealizador do projeto Autonomia EaD | Divulgação Filosófica.

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